quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Eu te perdoo por tudo, Jorge Vercilo.

2016 foi um ano complicado: o mundo está uma poça de chorume espesso, o futuro parece tenebroso e as pessoas estão insanas, radicais, sem a mínima tolerância com a opinião alheia e confundindo atitudes racistas, misóginas e xenófobas com ~posicionamentos progressistas. O conservadorismo está aí se reinstalando de forma tão avassaladora que até minha bisavó ficaria chocada. Mas à parte esse imenso e triste mundo externo, à parte essas pessoas ruins (apud IMPERADOR, Adriano), à parte esse ar podre que tratamos de estragar um tantinho mais a cada dia, eu tive um ano bom. Não um ano fácil; um ano bom, com novos planos e perspectivas, uma visão mais simples sobre o cotidiano e com a expectativa da chegada de uma vida nova que em breve roubará minhas noites de sono e meu coração. Acho que estou feliz, bastante. Ser feliz é bom, mas traz transtornos: não traz ideias brilhantes, não faz construir uma Enigma ou escrever poesia como e.e. cummings ou Sylvia Plath. Ser feliz traz rima infame e vontade de sair correndo descalço na areia com uma bata branca com estampa de girassol, garrafa de espumante nas mãos, sentindo o sol bater nos cabelos cor de mel, um doce mistério de rio. E é sabendo disso que eu finalmente te perdoo por tudo, Jorge Vercilo. Tamo junto.