quarta-feira, 27 de julho de 2016

Freud entediadão.

Tenho dificuldade de interagir em grupos formados por pessoas que têm esse jeito ~contemporâneo de se comunicar: o sujeito espera desesperadamente uma brecha para falar de si e das coisas mui singulares que viveu, ignorando por completo o fato de haver outros seres vivos ao redor. Ninguém se ouve, ninguém conversa, os temas não se cruzam: as pessoas apenas falam. Ao que parece, a maioria dos interlocutores poderia facilmente ser substituída por um display do Freud entediadão ou da Marina Abramovic. Os relacionamentos não envolvem mais curiosidade e empatia pelo próximo, se parecem mais com aqueles game show em que quem aperta o botão primeiro tem o direito de falar, restando aos demais se contentarem com uma torta na cara. 

[Talvez eu esteja ficando velha e ranzinza demais.]