terça-feira, 24 de maio de 2016

Preguiça.

Uma das coisas mais incríveis de envelhecer é deixar a preguiça tomar conta. É deixar pra lá, cansar por antecedência, evitar a fadiga, receber o convite pra uma roubada e fechar os olhos por alguns segundos tendo a deliciosa visão de um não em fonte arial black tamanho 72. A preguiça que veio com meus trinta e poucos anos me ajudou a entender que há discussões que não valem a pena, frescuras e paranoias de conhecidos/amigos/familiares com as quais não tenho de lidar, chantagens emocionais que apenas soam cômicas, sem causarem em mim nenhum efeito. Guardo pouco, me apego a pouco, lido bem com o transitório. Vai quem tem que ir, fica quem tem que ficar, e tudo bem. Tudo isso é lindamente libertador, porque, meus pacovás, como as pessoas se empenham em tornar tudo pessoal, limitado e burocrático. A burocracia comportamental que o bródinho do virtual quer trazer para o real me enche de preguiça, me entedia. Existir seria um troço tão mais fácil se ninguém criasse regras abstratas e infantis de convívio baseadas no padrão "não curtiu minha foto nem me seguiu de volta então tomara que morra de lepra". 

Toda vez que alguém me toma por um alienígena sociopata ao saber que não tenho conta no facebook penso em responder isso tudo. Mas me dá uma maravilhosa preguiça do cacete.