terça-feira, 4 de agosto de 2015

Evaporação.

Passado, em partes, o bloqueio em relação à minha casa, minha vida, persiste a resistência às letras recreativas. Para acompanhar a recém-apatia à literatura em geral, o bloqueio de escrita chegou numa tarde de chuva pedindo arrego por uns dias e cá está ele, camiseta velha do Pantera, joystick na mão, esparramado pela sala tomada por caixas de pizza, bitucas de cigarro e garrafas de cerveja. Ao longo dos dias quase escrevi coisas realmente sensacionais -incluindo uma história que envolvia uma garota amish, caminhoneiros e alienígenas e algumas linhas muito promissoras da dissertação- mas que evaporaram junto com a fumaça úmida do banheiro. 

Na verdade, suspeito que boa parte de mim deve ter se desfeito no ar junto com minha imaginação, de modo que o que circule por aí dentro do meu corpo seja apenas um cover datado e esquizofrênico de mim mesma.