segunda-feira, 1 de junho de 2015

Os gansos.

A propósito desta ótima matéria do UOL, resgatei uma ideia de roteiro para filme que surgiu na época em que trabalhei em Alphaville por cinco anos: um personagem milionário acorda sozinho e pelado no pantanal, sem nenhum objeto -celular, relógio, facão, nada. A bunda chamaria a atenção por ser uma faixa disforme aberrantemente branca. Uma sucuri se aproximaria aos poucos, e essa tomada duraria cerca de meia hora, para enfatizar todas as nuances possíveis do terror, a bunda branca tremendo, a bunda branca chacoalhando em velocidade insana e eliminando paulatinamente todo o foie gras ingerido ao longo da existência bunda-branca. Alguns gansos se aproximariam em hordas intermináveis, um lance meio hitchcock, os gansos se alinhando em um cordão, se aproximando aos poucos, a bunda branca chacoalhando e suando, o foie gras saindo agora em ritmo alucinante, os gansos se aproximando, tomando a tela, tomando todos os espaços da tela, a tela suja de merda, as asas dos gansos se abrindo em fúria. Essa tomada duraria três horas e meia. Talvez quatro. Talvez um pouco mais.