terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aumentar o buraco em vez de só sair dele.

Cada vez que revejo este curta uma coisa diferente me pega de jeito. Sou um tanto obstinada pela ideia de cidade, pela forma como a geografia das metrópoles forma uma cartografia sentimental tão cheia de possibilidades, mas também tão vazia delas, como se toda a humanidade e todos os espaços desembocassem sempre numa esquina de concreto, num desencontro, numa referência tão cheia de significado que acaba se tornando um bibelô lindo mas empoeirado no canto da estante. É difícil reter as relações, os significados e os afetos na metrópole; é fácil sentir o próprio vazio ecoando em meio à multidão. A cidade com seus carros, ruas, avenidas, prédios, praças, parques, comércios, viadutos, pontes, pessoas, pessoas, pessoas, ações e inércias é um espaço que abriga tudo o que não se pode nomear por dentro.