terça-feira, 12 de novembro de 2013

Há alguma coisa estranha em esperar.

Nunca fui boa em esperar por nada. Sempre fui absurdamente prática, do tipo que não insiste em vontades e que apenas acha que se determinada investida não deu certo é porque o recado cósmico é algo como “ok, vamos para o próximo item da lista e nada de choramingar mais de um dia por essa merda”. Porque a vida é curta demais pra insistir em coisas de que nem tenho lá muita certeza se quero mesmo (em geral, não), e também (e talvez principalmente) porque tentar algo pela segunda vez (ou terceira ou quarta ou quinta) e fracassar é meio que a comprovação de que aquela nuvenzinha preta acima da cabeça não vai se dissipar tão cedo. Neste biênio, porém, contrariando uma tradição de mais de trinta anos de meticulosa abordagem fast loser da vida, decidi organizar minhas vontades. Assim, minhas investidas e meus projetos tiveram um planejamento seguido com muita disciplina e atenção ao que de fato me parecia importante, o que me fez questionar de um jeito muito sério sobre o quão ridícula e burocrática e patética eu estava tornando a minha vida. Mas exatamente hoje, às vésperas de uma viagem incrível que pretendo fazer dentro de poucos dias para coroar o final de um período em que quase tudo deu muito sensacionalmente certo, fica a impressão de que o acaso também precisa de certo norte. E que mesmo uma perdedora inveterada como eu pode ter lá os seus dias de sol se esperar a chuva passar.