quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O cidadão de bem.

J. vive a ilusão de ser merecedor de sua vida diferenciada nos alpes cinzentos paulistanos e discursa pela terceira vez na noite. Desta vez, o alvo de suas críticas vorazes e confusas (não para a maioria recém-adepta do estilo headbanger que o ouve com atenção) são os bolivianos, coreanos, paraguaios e haitianos. São, segundo J., bandidos, traficantes, assassinos e oportunistas que se aproveitam da inocência política desta terra de otários pacifistas para invadirem nosso território e usurparem nossas riquezas. J. é brasileiro, mas acredita que o melhor para ele seria se mudar para a Alemanha, para os EUA ou para o Canadá, lugares nos quais morou, apesar de sua emergência nativa, e onde a qualidade de vida é melhor. 

Em seus sonhos, J., e tão somente J., merece um mundo melhor e sem fronteiras porque ele é um cidadão de bem.