segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Legado.

Ela, atual magérrima, tem esse preconceito contra gordos ao mesmo modo de parte da rapaziada que tem preconceito contra o que chamam de novos ricos ou nova classe média, ou "novo/neo" qualquer coisa (um jeito bandido e discreto de elitizar contextos etéreos): em outros tempos, vítimas das mesmas bobagens que agora despejam como se fizessem humor. Ex-obesos se referindo aos ainda como "preguiçosos", "aberrações"; ex-paupérrimos criticando as roupas e o jeito de falar das pessoas que agora podem frequentar o mesmo restaurante que eles, igualmente, não podiam. Tudo isso no contexto paulistano, onde as ofensas são muito sutis, ao contrário do ódio que as move, e onde todo sofrimento vira um legado com pretenso viés evolucionista.

(E ele me pergunta todo dia por que a gente não cai fora daqui, e eu não sei a razão. Eu nunca sei.)