quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O apanhador no campo de batalha.

Toda vez que ouço falar de situações violentas em escolas, muitas delas envolvendo alunos vítimas de bullying, lembro de tantos colegas de classe que, muitas vezes, não chegavam a concluir o ano letivo no colégio. E todo mundo ria, mantinha as piadinhas e o apelido estúpido e vulgar por mais umas poucas semanas até aquilo tudo cair em completo esquecimento - como se aquele aluno nunca tivesse existido ou como se fosse um tamagoshi sem bateria, ultrapassado e jogado no lixo -, sem que nenhum de nós tivéssemos a mínima ideia da barbárie que era aquilo tudo. Quantos foram embora? Seis, dez? Eu não ficaria surpresa em ver o nome da minha antiga escola nos jornais. E, infelizmente, não ficaria surpresa em não lembrar de algum colega de sala que tenha passado por tanta coisa sem que eu nunca tivesse entendido. Porque só quem apanha lembra para sempre. Talvez o recado disso tudo seja esse.